Produtores rurais reivindicam soluções do Governo de Pernambuco para impactos socioeconômicos provocados pela criação da unidade de conservação ambiental no Sertão do São Francisco.


Um protesto realizado por agricultores e produtores rurais interditaram, na manhã da última terça-feira (26), a Ponte Presidente Dutra, que liga os municípios de Petrolina e Juazeiro. A mobilização foi organizada pela Associação Comunitária dos Campesinos Afetados pela Reserva de Vida Silvestre Tatu-Bola (ASCCAMP/RVS).

Os manifestantes cobraram do Governo de Pernambuco medidas para reduzir os impactos causados pela criação do Refúgio de Vida Silvestre (RVS) Tatu-Bola, unidade de conservação ambiental criada em 2015 e localizada nos municípios de Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Petrolina.

De acordo com os agricultores, as restrições ambientais impostas pela unidade de conservação têm dificultado atividades produtivas na região, além de comprometer o acesso a financiamentos rurais e investimentos agrícolas. Representantes do movimento afirmam que muitas famílias dependem diretamente da agricultura e da criação de animais para sobreviver.

A Reserva Tatu-Bola possui uma área total de 110.110 hectares, sendo considerada a maior unidade de conservação estadual de Pernambuco. Segundo dados técnicos da CPRH, cerca de 55,3 mil hectares da reserva estão em Lagoa Grande, o equivalente a aproximadamente 29,9% do território do município. Em Santa Maria da Boa Vista, a área corresponde a 28,4 mil hectares, cerca de 9,4% do território municipal. Já em Petrolina, a unidade ocupa aproximadamente 26,3 mil hectares, o equivalente a 5,7% do município.

Os produtores defendem que a atual categoria ambiental da área seja alterada de Refúgio de Vida Silvestre para Área de Proteção Ambiental (APA), modalidade considerada menos restritiva e que permitiria maior flexibilidade para atividades agrícolas e pecuárias.

Segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), o Governo de Pernambuco realizou consultas públicas e estudos técnicos para discutir alternativas que reduzam os conflitos socioambientais envolvendo a reserva. Entre as propostas analisadas está justamente a recategorização da unidade de conservação.


Impactos na vida dos agricultores

A criação do RVS Tatu-Bola gerou mudanças significativas na rotina das famílias que vivem dentro ou próximas da área protegida. Agricultores relatam dificuldades para ampliar áreas de plantio, criar animais e obter licenças ambientais necessárias para financiamentos bancários e programas de crédito rural.

Segundo lideranças comunitárias, algumas propriedades passaram a enfrentar insegurança jurídica devido às limitações impostas pelo modelo de proteção integral adotado na unidade ambiental. Os moradores alegam que houve pouca participação popular no processo de criação da reserva e defendem maior diálogo entre o poder público e as comunidades rurais.

Por outro lado, órgãos ambientais destacam que a reserva foi criada para preservar áreas da Caatinga e proteger espécies ameaçadas de extinção, como o tatu-bola-do-nordeste, animal símbolo da unidade de conservação. A região é considerada estratégica para a conservação da biodiversidade do semiárido brasileiro.

Especialistas apontam que o desafio é equilibrar preservação ambiental e desenvolvimento econômico, buscando alternativas sustentáveis que permitam a permanência das famílias no campo sem comprometer os recursos naturais da Caatinga.