As eleições de 2026 terminaram, mas parece que, para alguns políticos, a disputa ainda não acabou. Depois de encerrada a votação, surgem deputados e senadores eleitos utilizando as redes sociais para questionar a segurança das urnas eletrônicas e levantar suspeitas de fraude eleitoral. Afinal, o que há de verdade nessas acusações e o que não passa de narrativa política?

É preciso compreender que a democracia não funciona como um jogo em que as regras só são válidas quando o resultado favorece determinado candidato. Perder uma eleição, por si só, não significa que houve fraude. A preferência política de uma parcela do eleitorado não pode ser confundida com a vontade da maioria expressa nas urnas.

Há, inclusive, uma contradição que merece reflexão: se o sistema eleitoral é considerado fraudulento, como explicar a eleição dos próprios deputados estaduais, federais, senadores e governadores que agora questionam sua confiabilidade? O sistema é seguro quando garante a vitória dos aliados e suspeito quando o resultado não corresponde às expectativas de determinado grupo político?

Seria uma espécie de fraude seletiva, que escolhe onde atuar conforme o cargo disputado?

E há outras perguntas que não podem ficar sem resposta: em que momento o sistema teria sido adulterado? De que maneira os votos teriam sido alterados? Quem teria realizado essa operação e quais provas concretas sustentam essas acusações? Afinal, como alguém conseguiria fazer uma urna registrar votos favoráveis a X ou Y sem deixar evidências verificáveis?

Questionar o processo eleitoral é legítimo e faz parte de uma democracia. Apresentar provas, solicitar investigações e recorrer às instituições competentes também. O que não se pode confundir é o direito de questionar com a liberdade de transformar suspeitas em verdades sem apresentar evidências.

A democracia não pode ser tratada como um restaurante à la carte, no qual cada um escolhe o resultado que deseja e devolve aquilo de que não gosta.

No fim das contas, o voto é livre, o resultado precisa ser respeitado e qualquer denúncia de irregularidade deve ser apurada com base em provas. Afinal, defender a democracia não significa apenas aceitar a vitória de quem apoiamos, mas também reconhecer a legitimidade das regras quando o resultado não nos favorece.

Porque, se a democracia só vale quando vencemos, talvez o problema não esteja nas urnas, mas na dificuldade de aceitar o resultado das eleições.