O primeiro ano da gestão que teria encerrado com um “saldo positivo” na geração de empregos formais. A informação, repetida com entusiasmo institucional, merece ao menos um pedido de explicação — ou talvez de imaginação fértil.
Segundo os números divulgados, a prefeitura “gerou” mais de mil novos postos de trabalho. A dúvida surge de imediato: desde quando o município se tornou proprietário de fazendas, fábricas ou empresas privadas capazes de contratar em massa? Se a prefeitura agora cultiva empregos, resta saber onde ficam essas lavouras produtivas de carteiras assinadas.
A surpresa não para por aí. A indústria — essa entidade quase mitológica no município — aparece como responsável por novos empregos. Fica a pergunta que ecoa pelas ruas vazias de galpões: onde estão essas indústrias? Quais empresas se instalaram em 2025? Em que distrito industrial invisível elas operam? Até o momento, só os números aparecem; as chaminés, não.
Curiosamente, o único setor em que a prefeitura poderia, de fato, exercer influência direta — a construção civil — registrou menos de 70 empregos formais. O dado fala por si. Obras públicas expressivas, capazes de movimentar mão de obra e renda, simplesmente não existiram. Nem grandes canteiros, nem projetos estruturantes, nem o barulho típico de concreto sendo derramado. Apenas o silêncio das estatísticas tímidas.
Já os setores de Comércio e Serviços, frequentemente citados como trunfos da gestão, não geram empregos para a prefeitura. Geram impostos. Quem contrata é o empresário, quem assume riscos é o comerciante, quem paga salários é o prestador de serviços. A prefeitura, nesse caso, apenas arrecada — e comemora.
No fim das contas, o discurso oficial parece transformar números frios em feitos épicos. Uma prefeitura sem fábricas vira potência industrial; um município sem obras vira canteiro de empregos; e a realidade, essa teimosa, fica de fora da coletiva.
Talvez seja isso: não se trata de geração de empregos, mas de geração de narrativas. E, convenhamos, para criar empregos invisíveis, não é preciso cimento, máquinas ou empresas — basta um bom release.


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